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Mundo está à beira de pontos de inflexão ambientais, diz ONU

Novo estudo destaca riscos de extinção, esgotamento de águas subterrâneas, derretimento glacial e calor extremo, entre outros

Folha de São Paulo

26 de outubro de 2023

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Folha de São Paulo

O mundo está caminhando em direção a uma série de pontos de inflexão ambientais que podem causar danos irreversíveis ao abastecimento de água e a outros sistemas de sustentação da vida, alertou um braço de pesquisa da ONU (Organização das Nações Unidas) nesta quarta-feira (25).

As mudanças climáticas e o uso excessivo de recursos têm colocado o mundo à beira de seis pontos de inflexão interconectados que "poderiam desencadear alterações abruptas em nossos sistemas de sustentação da vida e abalar os alicerces das sociedades", disse o Instituto de Meio Ambiente e Segurança Humana da Universidade das Nações Unidas (UNU-EHS, na sigla em inglês).

"Quando esses limites são ultrapassados, o sistema deixa de funcionar normalmente e surgem novos riscos em cascata, que podem ser transferidos para outros sistemas", disse o pesquisador Jack O'Connor, autor do relatório. "Devemos esperar que essas coisas aconteçam porque, em certas áreas, elas já estão acontecendo."

O relatório Interconnected Disaster Risks (riscos de desastres interconectados), publicado antes das negociações climáticas da COP28 —conferência que acontecerá no próximo mês em Dubai—, identificou taxas aceleradas de extinção, esgotamento de águas subterrâneas, derretimento glacial e calor extremo como as principais ameaças interconectadas.

O documento alertou que um milhão de plantas e animais poderiam ser dizimados "dentro de décadas". A perda de espécies importantes pode "desencadear extinções em cascata de espécies dependentes" e aumentar a probabilidade de colapso do ecossistema.

Muitos dos maiores aquíferos do mundo já estão se esgotando mais rapidamente do que podem ser reabastecidos —Arábia Saudita, Índia e Estados Unidos já enfrentam graves riscos. Os escoamentos de água decorrentes do derretimento de geleiras também estão em declínio.

"O calor está nos levando a extrair mais água subterrânea por causa da seca", disse Caitlyn Eberle, outra autora do estudo. "Muitas dessas geleiras nas Montanhas Rochosas, no Himalaia e nos Andes alimentam esses rios e sistemas de águas subterrâneas, portanto, à medida que essas geleiras desaparecem, há menos água disponível."

Os pesquisadores também alertaram para os riscos crescentes apresentados pelos detritos espaciais, com colisões que podem tornar a órbita da Terra "inutilizável" e impossibilitar futuras atividades espaciais, incluindo o monitoramento por satélite de ameaças ambientais.

Em outro ponto de inflexão, a piora dos riscos climáticos está tornando os seguros inacessíveis, com meio milhão de residências somente na Austrália que não poderão ser seguradas até 2030, segundo eles.

"Quando esse ponto é ultrapassado, as pessoas ficam sem uma rede de segurança econômica quando ocorrem desastres", disse o relatório.

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