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Consequências econômicas do calor extremo vão se agravar com o tempo

Entre os custos das temperaturas altas estão a queda na produtividade no trabalho, prejuízo agrícola e problemas no comércio

Folha de São Paulo

20 de julho de 2023

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O impacto econômico da onda de calor implacável que fustiga o sul da Europa, Estados Unidos e boa parte do hemisfério Norte pode ter duração curta na maioria dos lugares, com o fechamento temporário de atrações turísticas, a retirada de mesas ao ar livre de cafés e restaurantes e o aumento do consumo de eletricidade ligado ao uso de ar condicionado.

No mais longo prazo, porém, as consequências econômicas da mudança climática devem ser profundas.

Incêndios devastadores, enchentes e secas tendem a dominar as manchetes. Outros efeitos insidiosos podem chamar menos atenção, mas provocar custos, mesmo assim. Pesquisadores constataram que temperaturas extremas reduzem a produtividade no trabalho, prejudicam as plantações, elevam os índices de mortalidade, criam problemas para o comércio global e enfraquecem os investimentos.

Uma análise feita por pesquisadores ligados ao think tank Center for Economic Policy Research constatou que na Europa, França, Itália, Espanha, Romênia e Alemanha foram os países mais afetados por desastres de origem climática nos últimos 20 anos. Mas os países da Europa central e oriental têm sido cada vez mais afetados por problemas climáticos.

Esses problemas aumentam a pressão sobre os gastos públicos, na medida em que os governos devem repor infraestrutura danificada e oferecer subsídios e assistência emergencial. A análise destaca que as receitas tributárias também podem encolher quando as mudanças climáticas atrapalham a atividade econômica.

As perdas econômicas ligadas à mudança climática estão previstas para aumentar muito no futuro, segundo estimativas da União Europeia, embora esta tenha notado que não existe na maioria dos Estados membros um mecanismo para agrupar e avaliar os custos econômicos.

Analistas do Barclays estimaram que o custo de cada desastre ligado ao clima subiu quase 77% nos últimos 50 anos.

Os prejuízos irão crescer globalmente. Um estudo publicado no ano passado que buscou medir o impacto sobre o crescimento econômico global das ondas de calor causadas pelo homem concluiu que os prejuízos acumulados entre 1992 e 2013 chegaram a entre US$ 5 trilhões e US$ 29,3 trilhões ao nível global.

"Pensamos no calor extremo como uma espécie de fenômeno localizado", comentou Justin Mankin, climatologista do Dartmouth College e coautor do estudo. "O que é realmente espantoso nas ondas de calor que estamos sofrendo neste momento não é apenas sua magnitude, mas o número de pessoas que elas estão afetando simultaneamente."

Mankin disse que apenas nos Estados Unidos há 32 milhões de pessoas que trabalham ao ar livre. Ele destacou que a proporção de pessoas que trabalham ao ar livre é muito mais alta nos países em desenvolvimento. O calor extremo também impõe mais pressão sobre as usinas de energia, causando apagões programados em sequência e às vezes chegando a levar o asfalto de rodovias a se deformar.

"Construímos uma economia e um conjunto de práticas para um clima passado, não para o clima que está se delineando", ele disse.

Tradução de Clara Allain

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