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Cerrado encerra a série especial 'Biomas' produzida pela Agência Senado

Apesar de o Cerrado ser considerado uma grande caixa d’água, onde estão localizados inclusive três grandes aquíferos – Guarani, Bambuí e Urucuia — não se pode apenar ir tirando água da torneira, sem qualquer retorno, porque senão “essa grande caixa vai secar”, alerta o professor da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO) e membro do Instituto Trópico Subúmido, Agostinho Carneiro Campos.

Baru Observatório

28 de março de 2024

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Fonte: Agência Senado

O Cerrado, que tem sua data comemorativa em 11 de setembro, encerra a série Biomas, publicada pela Agência Senado nos últimos seis meses para dar voz à biodiversidade, apontar os problemas e expor o debate legislativo sobre cada ecossistema. 

O Cerrado é responsável pelos recursos hídricos superficiais de 8 das 12 grandes regiões hidrográficas brasileiras. Destacam-se nessa lista as regiões das bacias do Parnaíba, São Francisco, Tocantins/Araguaia, Paraná e Paraguai, onde também se encontram muitas das principais hidrelétricas brasileiras.

Apesar de o Cerrado ser considerado uma grande caixa d’água, onde estão localizados inclusive três grandes aquíferos – Guarani, Bambuí e Urucuia — não se pode apenar ir tirando água da torneira, sem qualquer retorno, porque senão “essa grande caixa vai secar”, alerta o professor da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO) e membro do Instituto Trópico Subúmido, Agostinho Carneiro Campos.

— Esses aquíferos não conseguem armazenar tanta água por conta da estiagem, que de setembro até novembro é muito severa. Também, quando se desmata próximo às nascentes, a água não consegue penetrar no solo. Ainda, a compactação do solo, para abrir as rodovias, para a expansão dos centros urbanos, também vai inibir que essas áreas sejam infiltradas e alimentem os aquíferos. Esse é um grande problema que nós temos — afirma o professor.

Campos salienta que, quando há desmatamento próximo, ou até dentro de uma nascente, o solo fica exposto, passa a receber radiação solar muito maior, o que faz com que a evaporação aconteça muito mais rápido, abaixando o lençol freático, “o que compromete todo o processo da nascente”, dando margens a uma consequente crise hídrica.

— Se nós continuarmos tendo essa atitude, achando que a natureza vai sempre nos ajudar, que há sempre água em abundância, nós estamos muito equivocados. Nós precisamos hoje, como medida bem mais urgente, proteger essas nascentes, fazer uma recomposição florística. Muitas nascentes não têm nenhuma cobertura vegetal. Então, se continuarmos assim, nós vamos ter uma crise muito maior até o ano 2050 — completa Campos.

O potencial de proteção de vegetação nativa é muito superior ao que se imagina. Estudos já demonstram que as raízes das árvores típicas do Cerrado são responsáveis por transportar água das chuvas para uma boa profundidade. Em épocas de escassez, essas “florestas invertidas” passam a liberar essa água para o subsolo ou para os rios.

Leia a Reportagem completa no link Berço das águas, Cerrado tem recursos hídricos pressionados pelo desmatamento — Senado Notícias

 

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