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Projeto busca restauração em larga escala do Cerrado

Viabilizar de forma inovadora a restauração em larga escala na região do Cerrado brasileiro, no Norte Nordeste de Goiás, região de importância ecológica e hídrica, na Bacia do Tocantins Araguaia, região do Alto Médio Tocantins. Esta é a proposta do projeto “Águas Cerratenses: Semear para Brotar”, uma política pública do Governo do Estado de Goiás, por meio da Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, com foco na recuperação de áreas degradadas do bioma.

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Letícia Jury

10 de agosto de 2023

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De acordo com a coordenadora do projeto, Alba Orli de Oliveira Cordeiro, doutora em Botânica pela Universidade de Brasília,  em entrevista ao DM Anápolis, a  maior parte das vezes os projetos são pensados a partir da região de atuação da organização, suas parcerias, seu histórico e seu planejamento. Isso aliado as oportunidades de financiamento advindo de processos indutores por politicas publicas. 

“Como por exemplo, agora existe um movimento global e uma janela de oportunidade para se trabalhar projetos na temática de carbono em função das mudanças climáticas, assim nos adaptamos pra agregar esse tema as nossas atividades ja desenvolvidas”, detalha.

Alba Cordeiro explica que o projeto Águas Cerratenses é importante para buscar elevar a produção de sementes nativas a um novo patamar. “Quando desenvolvemos restauração em larga escala necessariamente precisamos ativar a cadeia de suprimentos da restauração localmente”, explica. 

Nesse sentido, segundo a coordenadora, o projeto busca promover a restauração de 600 ha de cerrado na região norte e nordeste goiano e nesse processo induzir o ganho de escala na produção de sementes nativas usadas na semeadura para restauração das áreas do projeto, viabilizando renda complementar as familias coletoras de sementes.

Operacionalização

O projeto “Águas Cerratenses: Semear para Brotar” tem como linha estrutural a sensibilização e envolvimento de propriedades rurais para regularização ambiental, conforme definição na legislação federal - Código Florestal, bem como o fortalecimento cadeia de produção de sementes nativas de base comunitária para geração de renda familiar de grupos vulneráveis. Por meio da análise de dados apresentados no Cadastro Ambiental Rural- CAR, estimamos a demanda e interesse de proprietários em aderir ao Programa de Regularização Ambiental – PRA, como beneficiário das ações de recomposição da vegetação nativa.

A ação conta com uma rede de parceiros que atua, há pelo menos dez anos, no fortalecimento dos elos da cadeia produtiva da restauração do Cerrado. A Associação de Coletores de Sementes Cerrado de Pé-ACP é uma dessas organizações, operando com o fornecimento de sementes nativas de base comunitária. 

A ACP abrange quatro cidades da região da Chapada dos Veadeiros e possui 98 associados, pertencentes a comunidades rurais, perirurais, assentados e quilombolas, sendo que 90% têm apenas o ensino fundamental ou escolaridade inferior e 60% são mulheres. Um recorte significativo dos participantes da ACP são os quilombolas da comunidade Kalunga em Cavalcante, onde 90% dos coletores são mulheres, tendo na produção de sementes nativas sua fonte de renda principal. Ao todo foram 30 toneladas de sementes produzidas e um total de R$ 776.000,00 de recurso repassados aos coletores.

Desta forma, em parceria com a empresa Semeia Cerrado e com a ACP, a Rede de Sementes do Cerrado pretende com este projeto viabilizar a restauração de pelo menos 800 hectares, principalmente, por meio da técnica da semeadura direta, que permite o aumento da escala de produção de sementes nativas de base comunitária e, consequente, transferência de renda com a conservação das áreas nativas. 

A proposta visa a expansão planejada da produção de sementes nativas junto a ACP juntamente com a realização de estudos para quantificação de carbono absorvido com a restauração e, ainda, a realização de ações estratégicas de educação ambiental para crianças e jovens da região. (Com informações Águas Cerratenses). 

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