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Marina propõe debate sobre valor da natureza no Fórum Econômico Mundial

“A palavra valor remete a algo que vai além do que podemos precificar”, afirmou. “A natureza tem valores que, muitas vezes, a forma e o estágio em que nos encontramos ainda não conseguiram alcançar. Em algum momento, vamos descobrir que esses valores existem e que talvez possam ser precificados”, completou. 

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Letícia Jury

20 de janeiro de 2024

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O Fórum Econômico Mundial (FEM), também conhecido como Fórum de Davos, é uma organização internacional que realiza anualmente uma reunião em Davos, na Suíça. O Fórum foi fundado em 1971 por Klaus Schwab, um professor suíço de economia, e desde então se tornou um dos eventos mais importantes no calendário global de líderes políticos, empresariais, acadêmicos e representantes da sociedade civil.

O principal objetivo do Fórum Econômico Mundial é reunir líderes de diversos setores para discutir questões globais e promover a colaboração na busca de soluções para os desafios enfrentados pelo mundo. Durante o encontro, os participantes participam de painéis, discussões, workshops e eventos paralelos que abordam uma ampla gama de temas, como economia, tecnologia, mudanças climáticas, saúde global, desigualdade e outros assuntos críticos. Além disso, é um fórum onde líderes podem realizar reuniões bilaterais e discutir estratégias para enfrentar os desafios globais.

A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, participou de painel do encontro e dentre os seus pronunciamentos destacou que a natureza é tão importante, que talvez não seja possível precificar seus serviços. Ela propôs que não se debata o preço da natureza, mas seu valor.  

“A palavra valor remete a algo que vai além do que podemos precificar”, afirmou. “A natureza tem valores que, muitas vezes, a forma e o estágio em que nos encontramos ainda não conseguiram alcançar. Em algum momento, vamos descobrir que esses valores existem e que talvez possam ser precificados”, completou. 

A ministra citou a produção de 20 bilhões de toneladas de água por dia pela Amazônia: metade do volume é usado pela natureza e metade se dispersa na atmosfera. O fenômeno é responsável pelo regime de chuvas da região, diretamente relacionado a 75% do Produto Interno Bruto da América Latina. 

“Se fôssemos bombear essa água, precisaríamos de 50 mil Itaipus. Alguém consegue imaginar um investimento como esse?”, questionou Marina. “A natureza faz isso apenas usando a terra, seus nutrientes, a floresta, o sol e o vento. É um serviço ecossistêmico incalculável”, completou.  

Para a ministra, talvez só seja possível precificar o que a humanidade é capaz de produzir. Na natureza, completou, talvez seja possível apenas ver valor: 

“Um valor que tem preço também, sobretudo preço de quem pesquisa, preço de quem usufrui desses serviços ecossistêmicos e dos conhecimentos milenares daqueles que têm conhecimentos associados a esses recursos”, afirmou ela. 

Haverá uma força-tarefa sobre pagamento por serviços ecossistêmicos durante a presidência do Brasil no G20, mencionou a ministra. A iniciativa buscará promover o pagamento por tais serviços e como preservá-los. 

O tema é uma das quatro prioridades do Grupo de Trabalho de Sustentabilidade Ambiental e Climática, coordenado pelo MMA e pelo Ministério das Relações Exteriores. Os outros tópicos são: adaptação preventiva e emergencial a eventos climáticos extremos, resíduos e economia circular e oceanos. 

Também participaram do painel a professora de ciências ambientais da Universidade de Stanford, Gretchen Daily; o presidente do Conselho de Administração da Aliança das Cabeceiras Sagradas da Amazônia, Uyunkar Domingo Peas Nampichkai; o diretor-executivo da Indigo, Ronald W. Hovsepian; o sócio-gerente sênior do Bank Lombard Odier & Co, Hubert Keller; e o presidente e diretor-executivo da Oliver Wyman, Nick Studer.

Painéis e bilaterais

Antes de retornar ao Brasil, Marina participou de mesa organizada pelo Fórum Econômico Mundial sobre oceanos e de debate realizado pelo governo da Suíça sobre Amazônia e mudança do clima, ao lado do ministro Luis Fernando Barroso, presidente do Supremo Tribunal Federal. O painel debateu o papel da natureza e da conservação na mitigação da mudança do clima, considerando ações locais e globais, conhecimentos tradicionais e evidências científicas.

Além de Marina e Barroso, participaram Martina Hirayama, secretária de Estado da Suíça para Educação, Pesquisa e Inovação; Thomas Crowther, professor da ETH Zurich; Michael Schaepman, professor da Universidade de Zurique; e a ativista climática e apresentadora Hosana Silva. O painel foi moderado por Gioia Deucher, diretora-executiva da InnHub La Punt.   

A ministra teve ainda reuniões com Peter Thompson, enviado especial da ONU para oceanos; representantes da Fundação Open Society; Daren Tang, diretor-geral da Organização Mundial da Propriedade Intelectual; e Juan Manuel Louvier, diretor-geral do Instituto Nacional da Economia Social, do México. 

Na terça-feira (16/1), Marina participou de painel com o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, e debateu a transformação energética brasileira em mesa com os ministros Alexandre Silveira (Minas e Energia) e Nísia Trindade (Saúde).

Também na terça, a ministra teve sete reuniões, incluindo encontros com o empresário Bill Gates, o secretário-executivo da Convenção-Quadro sobre Mudança do Clima da ONU, Simon Stiell, e o comissário da UE para Ação Climática, Wopke Hoekstra.

Fonte: Ministério do Meio Ambiente e Mudança Climática

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