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Produção de orgânicos em Anápolis cresce e atrai novos consumidores

Atividade é opção de consumo de produtos saudáveis e de cultivo que preserva o meio ambiente. O principal cultivo de orgânicos na região são as hortaliças, frutas, produção de mel e vários produtos derivados como pólen, própolis, geleia real, açúcar mascavo, rapadura com vários sabores, cachaça, cana em gomos, pães, biscoitos artesanais, com a utilização de açúcar e farinha de trigo orgânicos

Baru Observatório

20 de julho de 2023

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Pesquisas nacionais indicam que de 2012 a 2019 o número de produtores orgânicos aumentou em mais de 200% no país. Em Anápolis, a divulgação da produção no município fica a cargo da Associação dos Produtores Agroecológicos de Anápolis e Região (APROAR), que foi criada em 2011 e desde 2015 semanalmente os produtos são comercializados na feira, que acontece às terças, no Parque Ipiranga. É uma atividade em expansão, que conforme explica o engenheiro agrônomo, Álvaro Gonçalo Rodrigues, um dos fundadores da entidade, atrai a cada dia mais consumidores e produtores. 

Álvaro Rodrigues explica que uma das características da produção agroecológica e orgânica, que é praticada basicamente pela agricultura familiar, é a independência do produtor  em relação a aquisição de  insumos adquiridos fora das propriedades, como acontece na produção convencional. O que vai diretamente ao encontro da saúde dos consumidores que se alimentam de produtos sem agrotóxicos.

“Infelizmente o Brasil é um dos maiores usuários de agrotóxicos do mundo. Anualmente são despejados nos alimentos cerca de 600 mil toneladas de venenos, via terrestre ou aérea, contaminando com cancerígenos não só os nossos alimentos, mas também nossos solos, águas, destruindo a biodiversidade, como os agentes polinizadores, principalmente as abelhas, que são responsáveis pela polinização e produção de mais de 50 variedades de alimentos que temos a nossa mesa”, expõe Álvaro Rodrigues.

Ele explica que a maioria dos insumos agroecológicos são oriundos da propriedade, como biofertilizantes, compostagem, adubação verde, cobertura morta com vegetais e defensivos alternativos a base de caldas, que não promovem a destruição da biodiversidade, como as abelhas por exemplo,  e dos insetos inimigos naturais  e da intensa vida e atividade de milhares de organismos vivos que existem nos solos; e que os venenos e adubação química destroem”, detalha. 

Um dos maiores desafios enfrentados pelos produtores de orgânicos conforme observa Álvaro Rodrigues é a falta de disponibilidade de mão de obra no campo, que mesmo tendo, a agroecologia,  a característica de ocupar em grande parte a agricultura familiar, por vezes depende de mão de obra externa, bastante escassa atualmente. No entanto, ele ressalta que a Emater está sempre à disposição do produtor, da preservação ambiental e da produção com sustentabilidade, em suas demandas cotidianas.

“Especialmente aqui no nosso município, me dedico à agroecologia e agricultura orgânica há mais de vinte anos, sou especialista nesta área, um dos fundadores do nosso projeto agroecológico, da APROAR e da Feira Agroecológica. Estamos sempre à disposição dos interessados em conhecer mais de perto a agroecologia e agricultura orgânica, sejam produtores rurais, estudantes ou comunidade em geral,  através de cursos, palestras, visitas a produtores”, informa. 

Álvaro Rodrigues é responsável técnico da associação, que segundo ele, é composta de produtores que “trabalham com muita responsabilidade, respeito e amor aos princípios da  agroecologia e dentro das normas técnicas preconizadas pelo Ministério da Agricultura; e  aos consumidores, vários deles, praticamente também fundadores deste projeto, pois estão conosco deste a primeira feira, realizada  em 20 janeiro de 2015”.

“Praticamente todos estes produtores, que temos na nossa região, foram formados por nós, com a eficiente parceria da EMATER, do SEBRAE, com a EMBRAPA Arroz e Feijão, por meio do projeto Produção de Grãos Agroecológicos; e Prefeitura de Anápolis, que ao longo desta jornada de vários anos tem nos proporcionado com muito prazer, estar ofertando à população da cidade alimentos com qualidade, sem agrotóxicos e alto valor biológico, produzidos com respeito ao meio ambiente e valorizando a saúde”, ressalta. 

Produção

O principal cultivo de orgânicos na região são as hortaliças e frutas. “Temos também produção de mel e vários produtos derivados como pólen, própolis, geleia real e outros excelentes produtos. Temos também um produtor de cana de açúcar mascavo, rapadura com vários sabores, cachaça, cana em gomos, pães, biscoitos artesanais, com a utilização de açúcar e farinha de trigo orgânicos”, ressalta. 

Álvaro Rodrigues anuncia que os mais recentes integrantes da APROAR oferecem cosméticos orgânicos, cuja principal característica Cruelty Free, ou seja, não praticar maus tratos com animais. “Os cosméticos orgânicos são fabricados com elementos naturais. Temos ainda um novo integrante que está perfumando nossa feira com bons fluídos de incenso e ofertando quadros com artes naturais”, conta. 

Segundo ele, há uma diversificação de produtos saudáveis na feira, que acontece às terças no Parque Ipiranga; e que não promove a degradação ambiental e destruição da biodiversidade dos biomas. “Já muito castigados e praticamente destruídos com a agricultura dita moderna que visam quase que exclusivamente a exportação e ganhos financeiros a um altíssimo custo ambiental”, observa. 

Álvaro Rodrigues informa que a APROAR conta hoje com 22 associados, cujas propriedades ou locais de produção localizam-se em diversas regiões da cidade e outros municípios como Gameleira de Goiás, os distritos, como Souzânia, em Miranápolis, na região do Piancó. (Letícia Jury)

 

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