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Guia registra tamanduá-bandeira atravessando rio Cristalino, em Alta Floresta (MT)

Encontro chama a atenção da bióloga, que diz ser difícil avistar a espécie na floresta amazônica, embora ocorra em todos os biomas.

G1 Goiás

12 de julho de 2023

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O tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla) é um mamífero que pode ser encontrado desde a América do Sul até a América Central, embora sua população tenha diminuído consideravelmente de alguns anos para cá e a espécie seja considerada como vulnerável pela União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN). Adaptado a viver em ambientes variados, o animal já foi comum em todos os biomas brasileiros, mas uma cena chamou a atenção da bióloga do Cristalino Lodge, Cynthia Lebrão, enquanto realizava uma guiada pelo rio Cristalino, em Alta Floresta-MT. No dia dois de julho, ela registrou um tamanduá-bandeira atravessando o rio a nado, em plena região de Floresta Amazônica.

“Estávamos em quatro pessoas no barco: eu, o piloteiro, um colega guia da Costa Rica e um outro turista estrangeiro. Todos ficaram surpresos. Eu fiquei muito emocionada porque não via um tamanduá-bandeira desde 2019, quando deixei a região de Bonito (MS) e me mudei para a Amazônia. No pantanal sul é mais fácil a observação dessa espécie por ser um ambiente mais aberto e com muitos cupinzeiros grandes, onde eles obtêm a maior parte da alimentação”, conta.

A guia relembra que, enquanto tomavam o café da manhã naquele domingo, o colega costarriquenho disse que nunca tinha visto um tamanduá-bandeira e que a espécie era como uma lenda no país dele. O outro turista estrangeiro já havia visto o animal no pantanal, mas não a ponto de reconhece-lo de imediato só com o focinho para fora do rio.

Ela explica que avistamentos de tamanduá-bandeira na Floresta Amazônica não são comuns porque o ambiente é denso e fechado. “No Cristalino Lodge temos registros mais numerosos desse animal nas armadilhas fotográficas que colocamos para monitoramento da fauna. No ano passado foram poucos encontros ao vivo, em torno de cinco e eu não estive presente em nenhum. Atravessando o rio é ainda mais incomum de ver”, afirma a bióloga.

“Foi um registro completo. Primeiro porque é um dos meus animais preferidos, segundo porque foi na floresta amazônica e ainda nessa ocasião: atravessando o rio”. Cyntia conta que, pelo tamanho, muito provavelmente se tratava de um adulto que atravessava de uma margem à outra, em uma passagem rápida”.

BONS NADADORES

Cynthia Lebrão começou a guiar em 2017 com foco na observação de onças-pintadas no Pantanal. Depois, vivendo em Bonito (MS), ela passou a se dedicar ao trabalho com araras-vermelhas. A bióloga também estudou de perto o comportamento do primata uacari-branco (Cacajao calvus) na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá e Amanã, no Amazonas. Agora atuando como guia naturalista no Cristalino Lodge, ela lembra que das oportunidades que teve de ver um tamanduá-bandeira no Pantanal, em apenas uma ocasião conseguiu observar um indivíduo tomando banho em uma pequena poça.

“Eles são bons nadadores, mas evitam essa atividade porque são animais que pesam em média 30 kg e possuem pelos compridos e fibrosos, que molhados geram um esforço maior para a natação”, conclui.

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