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“Nenhuma parte da Amazônia está segura”, diz pesquisador

Coautor de estudo sugerindo que metade da floresta pode colapsar em meados do século diz que só zerar desmatamento não basta se aquecimento global não for contido.

Baru Observatório

19 de fevereiro de 2024

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Fonte: Observatório do Clima

DO OC – A revista científica Nature trouxe nesta semana em sua capa um petardo: um estudo liderado por pesquisadores brasileiros sugere que, até 2050, algo entre 10% e 47% da floresta amazônica estará exposta a perturbações que podem rapidamente desencadear seu colapso.

O estudo é possivelmente o mais completo publicado até agora sobre o temido “ponto de virada” da Amazônia, o momento a partir do qual o bioma deixa de ser uma floresta e vira uma mixórdia de ecossistemas mais parecidos com uma savana empobrecida. Além da tragédia para a biodiversidade, essa transição seria uma catástrofe para o clima, já que a Amazônia estoca, em suas árvores e em seu solo, o equivalente a uma década de emissões humanas de gases de efeito estufa.

Um grupo de 24 pesos-pesados da ciência ambiental (que inclui um dos proponentes originais da ideia do colapso amazônico, o paulista Carlos Nobre) liderados por Marina Hirota e Bernardo Flores, ambos da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), fez um mapa detalhado das áreas amazônicas hoje expostas a perturbações diversas – desmatamento, degradação, queimadas, incêndios e fragmentação – e o cruzou com informações de modelos climáticos usados pelo IPCC, o painel do clima da ONU.

Eles concluíram que existe um número mágico na hidrologia da região: 1.800. Essa é, em milímetros, a quantidade de chuva por ano de que a floresta precisa para se manter floresta. A combinação entre degradação e secas induzidas pela crise climática está empurrando vastas porções da floresta para a zona abaixo dos 1.800 milímetros. Quando isso acontece, a mata entra num estado chamado de “bi-estável”, no qual qualquer peteleco pode empurrar todo o ecossistema para o colapso, dando lugar a outro tipo de vegetação. 

“Eu não acho que tem uma parte da Amazônia que está segura, não”, disse  Flores. “Porque muita gente considera que parte da Amazônia vai ficar. Quanto mais se perder da Amazônia, mais a gente pode perder outras partes da Amazônia”, prosseguiu.

Leia a entrevista completa no link Observatório do Clima“Nenhuma parte da Amazônia está segura” - OC | Observatório do Clima

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