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Epidemia de dengue é afetada diretamente pelas mudanças climáticas

A crise climática intensificada pelo fenômeno El Niño, que deixa as águas superficiais do Pacífico Equatorial mais quentes que o normal, é uma das hipóteses das causas da epidemia de dengue que atinge alguns estados brasileiros.

Baru Observatório

05 de março de 2024

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Fonte: Correio Brasiliense

A crise climática intensificada pelo fenômeno El Niño, que deixa as águas superficiais do Pacífico Equatorial mais quentes que o normal, é uma das hipóteses das causas da epidemia de dengue que atinge alguns estados brasileiros. O Distrito Federal é destaque na crise sanitária, tendo a maior incidência de casos por 100 mil habitantes entre as unidades da Federação e o professor de epidemiologia da Universidade de Brasília (UnB), Wildo Navegantes, explicou ao Correio que uma das consequências das mudanças climáticas é a imprevisibilidade dos eventos meteorológicos, sobretudo os extremos, como grandes volumes de chuva, secas e temperaturas muito acima ou abaixo do normal. "Perde-se a capacidade de mensurar o impacto desses fenômenos, tanto nas perdas materiais quanto na proliferação de doenças", resumiu.

Desde o ano passado, o DF tem estado na rota de ondas de calor que atingiram boa parte do país. O verão, estação caracterizada pelo calor e pela alta umidade, também favorece a proliferação do Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue e outras doenças, como zika, chikungunya e febre amarela. "Estamos passando por dias de chuvas que são seguidos por períodos de calor intenso, o que gera um ambiente propício para a infestação do mosquito", detalhou o pesquisador.

Somam-se às condições meteorológicas o fato de que os ovos colocados pelas fêmeas infectadas também têm o vírus. "E o ovo consegue ficar por meses em locais secos, o que coincide com o período de estiagem aqui no DF. No período da chuva, a umidade associada ao calor faz com que os ovos eclodam", explicou o epidemiologista. "As ondas de calor que ocorreram ano passado podem ter favorecido a eclosão dos ovos e a infestação de mosquitos", avaliou Wildo. "O aquecimento global fez com que a dengue surgisse em territórios inéditos, até então, como o Sul do Brasil, Paraguai e em partes da Argentina", informou.

Outra característica é o ambiente propício que o Aedes aegypti encontra em contextos urbanos. "O mosquito gosta de lugares urbanizados e densamente povoados, já que ele não consegue percorrer grandes distâncias, e pessoas próximas umas às outras favorecem a alimentação dele", explicou Wildo. O epidemiologista também alertou para mudanças necessárias no sistema de saúde em decorrência da crise climática. "Não dá mais para o sistema de saúde esperar que os surtos de dengue ocorram para tomar providências. É preciso se antecipar já que os eventos climáticos já não são tão previsíveis. As alterações do clima nos impele a trabalhar e atuar com alto grau de imprevisibilidade", finalizou.

Leia a matéria completa no site Epidemia de dengue é afetada diretamente pelas mudanças climáticas (correiobraziliense.com.br)

 

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