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Clima derruba produção de café da Colômbia, que recorre a grãos do Brasil

Terceiro maior produtor do mundo aumenta volume das suas importações brasileiras em 38,9%

Folha de São Paulo

21 de julho de 2023

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A produção de café da Colômbia, terceira maior do mundo, registrou queda significativa na última safra, o que fez o país sul-americano recorrer a grãos importados, inclusive do Brasil, concorrente no mercado global.

Em junho, a produção colombiana registrou uma tímida recuperação após fortes quedas. Houve um crescimento de 1% em relação ao mesmo mês de 2022.

O pequeno crescimento, contudo, não foi suficiente para melhorar o cenário de queda acentuada que o país tem registrado. A despeito do resultado mensal, a produção acumula uma queda de 13% nos últimos 12 meses.

A federação nacional de cafeicultores (FNC) da Colômbia atribui o resultado "às variáveis climáticas que afetam a produção de café, que não foram favoráveis para os processos de floração e enchimento de grãos na zona cafeeira do país".

Segundo a FNC, houve um aumento de chuvas nas regiões produtoras, após três anos do fenômeno La Niña. Além disso, os agricultores sofreram com a alta nos preços dos fertilizantes, causada sobretudo em decorrência da guerra na Ucrânia.

O Brasil, concorrente no mercado global de arábica, foi um dos mais procurados pela Colômbia. Ao longo da safra 2022/2023, o país adquiriu 1,738 milhão de sacas brasileiras –crescimento de 38,9% em relação ao ciclo anterior.

Com isso, a Colômbia passou a ser o país produtor de café que mais importa grãos do Brasil, o que evidencia a qualidade dos grãos brasileiros, segundo Márcio Ferreira, presidente do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).

"Um país que é considerado referência na qualidade está importando o nosso café, o que prova que nosso nível de qualidade também é muito bom", diz Ferreira.

Outrora visto internacionalmente como produtor de cafés inferiores, o Brasil tem lutado para mostrar ao mundo que também cultiva grãos mais sofisticados.

Apesar disso, os compradores mais exigentes, sobretudo no mercado de cafés especiais, ainda costumam dar mais valor a grãos de países como Colômbia e Quênia, por exemplo.

À frente da Colômbia no ranking geral de compradores de café brasileiro estão apenas Estados Unidos, Alemanha, Itália, Japão e Bélgica –nenhum dos quais cultiva o fruto.

As compras feitas pelo país sul-americano ajudaram a amenizar uma safra que também foi negativa para o Brasil, que igualmente teve os últimos ciclos afetados por adversidades climáticas, como secas e geadas.

Assim, em 2022/2023, as exportações brasileiras tiveram uma queda de 10,2% em relação ao volume de sacas vendidas no ciclo 2021/2022.

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