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“A luta da sustentabilidade não seja de esquerda nem de direita”, Marina Silva ao receber a Comenda Washington Novaes

“Em um país de 8 milhões de km quadrados, tem lugar para o agronegócio, para os extrativistas, para a indústria, para todo mundo”, disse Marina Silva

Diário de Goiás

24 de agosto de 2023

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A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima do Brasil, Marina Silva, foi homenageada com a Comenda Jornalista Washington Novaes, concedida pela Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), na quarta-feira (17). A medalha reconhece pessoas e entidades que se destacam na defesa e na preservação ambiental.

O presidente da Alego, Bruno Peixoto (UB), entregou a medalha à ministra no plenário da Casa, em uma sessão solene. O deputado Antônio Gomide (PT), que propôs a homenagem, discursou na tribuna e elogiou o trabalho de Marina Silva à frente do ministério.

“É uma honra para essa Casa de Leis receber nossa digníssima ministra do Meio Ambiente. Ministra essa que é uma referência do trabalho e do legado que Washington Novaes deixou para todos nós no Brasil. A Assembleia Legislativa faz jus ao trabalho desempenhado por Vossa Excelência em favor da preservação de nossos biomas”, afirmou.

Gomide também ressaltou a importância da comenda. “Essa Casa escolheu com sabedoria o nome do jornalista Washington Novaes para honrar os defensores do meio ambiente com a comenda que leva o seu nome. Washington inspirou a todos nós, recebeu reconhecimento internacional e o seu legado tem continuidade no trabalho de agentes públicos, como a ministra Marina”.

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O deputado ainda parabenizou Marina Silva pela convocação de 270 aprovados no cadastro de reserva do concurso do Ibama e aproveitou a ocasião para alertar sobre a situação ambiental em Goiás.

“O Cerrado, como bem a senhora sabe, é o segundo maior bioma do Brasil e em Goiás, 70% do nosso território é coberto por esse bioma. No entanto, ele é um dos mais agredidos por queimadas e, principalmente, pelo desmatamento. Precisamos de políticas públicas efetivas para proteger esse patrimônio natural”, disse.

Após receber a Comenda, a ministra Marina disse que, no seu trabalho anterior como ministra do Meio Ambiente, entre 2003 e 2008, receber de Washington Novaes “uma pequena frase de reconhecimento era motivo de muita celebração”. Ela se referiu ao jornalista como “alguém que nos dava um feedback muito profundo. Era muito respeitado, mas, por contrariar interesses, não era com certeza uma unanimidade”. Washington, a ministra prosseguiu, não teria deixado uma herança, que “diminuiu quando dividida”, e sim um legado, que “quanto mais compartilhado, mais cresce”.

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Marina Silva, afirmou que queria que Washington Novaes visse a “Cúpula da Amazônia”, com “potências florestais” e 27 mil pessoas. “Ele ficaria feliz como eu”, afirmou.

Ela também falou do Cerrado, que “não é menor que outro bioma”. Ela anunciou um plano contra o desmatamento, que atrasa as chuvas e reduz a água.

“Hoje nós temos consciência de que podemos ser diferentes coisas: ser uma potência agrícola e uma potência hídrica e florestal”, prosseguiu a Ministra. “Em um país de 8 milhões de km2 tem lugar para o agronegócio, para os extrativistas, para a indústria, para todo mundo. O que é preciso é, dessa vez, criar um novo ciclo de prosperidade, que não deixe ninguém para trás”.

Em entrevista coletiva após a cerimônia, a ministra agradeceu a homenagem e se disse honrada em receber uma comenda com o nome de Washington Novaes.

“Ele foi um dos maiores jornalistas da causa socioambiental do Brasil e deixou um legado e muitas pessoas que se inspiraram no trabalho dele para poder ser o que são hoje dentro da imprensa brasileira, na gestão pública e no setor empresarial. Eu mesma me inspirei nele, que tinha muito daquilo que ele devia, e principalmente daquilo que ele fazia”, declarou.

Marina Silva também falou da importância de Goiás para o meio ambiente. “Toda essa região é importante por duas razões. Ela tem um peso muito forte no equilíbrio hídrico do nosso país e, obviamente, que é uma região que tem um peso econômico muito grande. O grande desafio é integrar a economia e a ecologia na equação de combater a desigualdade e criar um ciclo de prosperidade. Que não deixe ninguém para trás”, completou.

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